A DOR DO PASTOR
“ Não vos comove isto, a todos que passeis pelo caminho? Atendei, e vede se há dor igual minha dor,que veio sobre mim...” (Lamentações 1.12)
Esta história relata um casal de missionários que vivia no interior da África. O Pastor, fiel temente a Deus,deslocava-se constantemente para as cidades vizinhas, enquanto sua esposa permanecia na casa humilde em que viviam, cuidando dos dois filhos e ainda atendendo aos necessitados do local. Em dessas viagens, o Pastor foi capturado por uma tribo selvagem que o apreendeu sob acusação de ser um feiticeiro. Com o passar do tempo, a dedicada esposa angustiava-se com a demora do marido. E todos os dias, ao terminar de atender os pobres, punha-se de pé na varanda da casa e ficava a longa estrada, que se perdia no horizonte, na esperança de ver o marido chegar. Mas chegada a noite recolhia-se à casa, juntamente com os filhos, para repartir o pão e entregar a última oração do dia. Pois aquele tempo, uma terrível enfermidade se alastrou pelo povoado local. Em poucas semanas havia dezenas de mortos. Os dois filhinhos do casal, já abatidos pela saudade que sentiam do pai, não resistiram e, ardendo em febre vieram a falecer. Ao cair da tarde daquele dia fatídico. A pobre mulher velava os corpos flagelados de seus pequeninos com a alma cortada de dor. Além da perda de seus queridos, angustiava-se pela falta de seu esposo. Como iria relatar aquela tragédia, pensava ela, ao seu marido quando voltasse? Ela sabia o quanto ele os amava e temia que a notícia fosse fatal ao coração do pobre homem. Sentada num canto da sala com os olhos cheios de lágrimas, esperava o novo dia raiar para sepultar seus filhinhos. Foi então que a porta se abriu e alguém chamou pelo seu nome. Era o marido que voltava, após a longa ausência. A alegria de vê-lo se confundia em sua mente com a dor da perda. Após se abraçarem, o pai perguntou: “E nossos filhos? Certamente estão a dormir pois já vai avançada a noite.” A mulher sentiu como se uma faca lhe cortasse o coração. Mais não teve coragem de lhe dizer uma palavra. Enquanto colocava o pão sobre a mesa, disse ao marido: “Amado meu. O senhor nosso Deus te trouxe em boa hora, pois tenho cá um problema que muito aflige a alma. Um amigo deixou comigo dois cordeirinhos para eu criar. Hoje, sem que eu esperasse, voltou para busca-los e sinto-me profundamente aflita pela falta que sentirei deles”. “Esposa da minha alma,” respondeu o marido, “ não deixe que tal dúvida suba ao teu coração. Aquilo que não te pertence deve ser retornado ao seu verdadeiro dono.” “Mais é que já tinha afeiçoado tanto a estes pequeninos” disse a pobre mulher em lágrimas. “Querida companheira, aquilo que foi confiado aos cuidados de tuas mãos não te pertence”. Considera apenas como depósito, e sagrado é o dever de restituí-lo quando de suas mãos for ele reclamado”. “Bem disseste, meu marido. Sei que é sábio o teu conselho... Vem pois agora comigo e te mostrarei os pequeninos que me foram reclamados a devolver”. E tomando seu esposo com suas mãos trêmulas e frias, o levou até o quarto onde jaziam os dois corpinhos envoltos em um lençol. “Filhos meus, encanto da minha vida”, gritou o pai na sua dor. “Como me dói a vossa perda. Bem disseste, minha esposa, que o verdadeiro dono veio para reclama-los e agora entendo a dor em ter que devolvê-los.” Que encontremos forças nas palavras de Jó: “ O Senhor deu, e o Senhor o tomou. Bendito seja o nome do Senhor.” (Jó 1:21)





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